Imposto de Renda

Como calcular o IRPF 2026 passo a passo

Por Cida Lima · 03 de agosto de 2026 · 8 min de leitura
Como calcular o IRPF 2026 passo a passo
Neste artigo

Muita gente olha o holerite, vê o desconto do Imposto de Renda e não faz ideia de como aquele valor apareceu. A boa notícia é que o cálculo do IRPF na fonte segue uma sequência lógica, e depois que você entende os quatro passos, consegue conferir o próprio contracheque e até planejar melhor o seu salário. Neste guia eu explico, passo a passo, como o imposto é calculado em 2026, já considerando a nova faixa de isenção que passou a valer neste ano.

Se você quiser apenas o resultado, pode usar a nossa calculadora de IRPF 2026, que faz toda a conta automaticamente. Mas entender o caminho ajuda a não cair em erros comuns e a saber o que fazer para pagar menos, dentro da lei.

O que mudou no IRPF em 2026

A grande novidade de 2026 é a ampliação da isenção. Quem recebe até R$ 5.000 por mês de rendimento tributável fica, na prática, livre do imposto na fonte. Isso acontece por causa de um mecanismo chamado redutor, criado pela Lei 15.270/2025, que reduz ou zera o imposto para quem está nessa faixa. Acima de R$ 5.000 e até R$ 7.350, o redutor ainda existe, mas vai diminuindo até desaparecer. A partir daí, o cálculo segue a tabela normal.

Isso não quer dizer que a tabela do IRRF sumiu. Ela continua sendo o ponto de partida do cálculo. O redutor entra só no final, como um abatimento extra. Por isso é importante entender a ordem das coisas.

Os quatro passos do cálculo

O cálculo do imposto na fonte sobre o salário segue sempre esta sequência: primeiro o INSS, depois as deduções, em seguida a aplicação da tabela do IRRF e, por fim, o redutor da isenção. Vamos a cada um.

Passo 1: descontar o INSS

Antes de calcular o Imposto de Renda, é preciso descontar a contribuição do INSS, porque ela reduz a base sobre a qual o imposto incide. Em 2026, o INSS do trabalhador é progressivo, ou seja, cada parte do salário paga uma alíquota diferente:

Até R$ 1.621,00: alíquota de 7,5%. De R$ 1.621,01 até R$ 2.902,84: 9%. De R$ 2.902,85 até R$ 4.354,27: 12%. De R$ 4.354,28 até o teto de R$ 8.475,55: 14%. O desconto máximo do INSS fica em R$ 988,09, pois acima do teto não há contribuição adicional.

A palavra progressivo é importante: você não paga 14% sobre tudo. Paga 7,5% na primeira fatia, 9% na segunda, e assim por diante. Somando as fatias, chega no valor real do desconto.

Passo 2: aplicar as deduções

Com o salário já sem o INSS, entram as deduções permitidas por lei, que diminuem ainda mais a base de cálculo. As mais comuns são a dedução por dependente, de R$ 189,59 por mês para cada um, e a pensão alimentícia definida judicialmente, que é abatida integralmente. Contribuições a previdência privada do tipo PGBL também podem entrar, dentro dos limites da lei.

Existe ainda o desconto simplificado, de R$ 607,20 por mês, que substitui as deduções legais quando for mais vantajoso. A fonte pagadora usa o que resultar em menos imposto para o trabalhador. Na nossa calculadora, o foco está nas deduções legais (dependentes e outras), que é o caminho mais comum para quem tem dependentes ou pensão.

Passo 3: aplicar a tabela do IRRF 2026

Chegou a base de cálculo. Agora aplicamos a tabela progressiva do Imposto de Renda Retido na Fonte, que em 2026 tem estas faixas mensais:

Base de até R$ 2.428,80: isento. De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65: alíquota de 7,5%, com parcela a deduzir de R$ 182,16. De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05: 15%, deduzindo R$ 394,16. De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68: 22,5%, deduzindo R$ 675,49. Acima de R$ 4.664,68: 27,5%, deduzindo R$ 908,73.

O cálculo é direto: multiplica a base pela alíquota da faixa e subtrai a parcela a deduzir. A parcela a deduzir existe justamente para que o imposto seja progressivo, sem dar um salto brusco quando você muda de faixa.

Passo 4: aplicar o redutor da isenção

Aqui entra a novidade de 2026. Depois de encontrar o imposto pela tabela, verificamos o redutor. Se o rendimento do mês for de até R$ 5.000, o imposto é zerado. Se estiver entre R$ 5.000 e R$ 7.350, subtraímos do imposto o valor do redutor, calculado assim: R$ 978,62 menos 0,133145 vezes o rendimento do mês. O que sobrar é o imposto a pagar. Acima de R$ 7.350, o redutor não se aplica e vale a tabela cheia.

Exemplo prático

Vamos calcular o imposto de quem ganha R$ 6.000 por mês e tem um dependente.

Primeiro, o INSS. Somando as fatias progressivas, o desconto sobre R$ 6.000 fica em R$ 641,51.

Depois, a base de cálculo. Tiramos o INSS e a dedução do dependente: R$ 6.000 menos R$ 641,51 menos R$ 189,59, o que dá R$ 5.168,90.

Agora a tabela. Como R$ 5.168,90 está na última faixa, aplicamos 27,5% e subtraímos R$ 908,73: 5.168,90 vezes 0,275 dá R$ 1.421,45, menos R$ 908,73, resultando em R$ 512,72 de imposto pela tabela.

Por último, o redutor. Como o rendimento (R$ 6.000) está entre R$ 5.000 e R$ 7.350, o redutor é R$ 978,62 menos 0,133145 vezes 6.000, ou seja, R$ 978,62 menos R$ 798,87, que dá R$ 179,75. Subtraindo do imposto: R$ 512,72 menos R$ 179,75, o imposto do mês fica em R$ 332,97.

Repare no efeito da reforma: sem o redutor, esse trabalhador pagaria R$ 512,72. Com o redutor, paga R$ 332,97, uma diferença de quase R$ 180 por mês, ou mais de R$ 2.000 no ano.

Erros comuns na hora de calcular

O primeiro é calcular o imposto sobre o salário bruto, esquecendo de descontar o INSS e as deduções antes. O imposto nunca incide sobre o bruto direto.

O segundo é aplicar a alíquota da faixa sobre o valor todo, sem subtrair a parcela a deduzir. Isso infla o imposto e não corresponde ao que a lei manda.

O terceiro, muito comum em 2026, é achar que quem ganha até R$ 5.000 não tem mais nada a ver com o Imposto de Renda. A isenção na fonte não elimina, por si só, a obrigação de declarar no ano seguinte, caso a pessoa se enquadre em alguma regra de obrigatoriedade da declaração anual.

Próximos passos

Se você quer conferir o desconto do seu holerite, comece separando o salário bruto, o número de dependentes e eventuais pensões ou outras deduções. Com esses dados, faça a conta pelos quatro passos ou use a nossa calculadora de IRPF 2026 para chegar ao valor em segundos. Para ver o efeito completo no que cai na conta, vale também simular na calculadora de salário líquido, que junta INSS e Imposto de Renda no mesmo cálculo.

Lembre que este guia trata do imposto retido na fonte, mês a mês. O acerto final acontece na declaração anual, quando entram outras deduções, como despesas médicas e educação, que podem gerar restituição. Em caso de dúvida sobre a sua situação, vale confirmar com o seu contador e consultar as regras oficiais da Receita Federal.