Tarifaço dos EUA sobe para 37,5%: quase 4 mil produtos brasileiros afetados
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Empresas brasileiras que vendem para os Estados Unidos precisam ficar atentas a uma mudança que já está em vigor: uma nova tarifa adicional de 12,5% passou a incidir sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. Para quase 4 mil produtos, essa cobrança se soma a uma sobretaxa anterior de 25%, resultando em uma tributação total de 37,5% para entrar nos Estados Unidos.
O levantamento foi divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e mostra que o impacto é significativo: os produtos atingidos representam uma fatia relevante das exportações brasileiras para o país norte-americano.
O que mudou na prática
Segundo o mapeamento da CNI, cerca de 4 mil produtos brasileiros serão atingidos pela nova sobretaxa. A grande maioria (a quase totalidade desse grupo) já pagava a tarifa adicional de 25% e agora passa a arcar com os 37,5% no total. Um grupo menor de produtos, que não estava sujeito à cobrança anterior, passará a pagar apenas a nova alíquota de 12,5%.
No conjunto, quase metade de tudo que o Brasil exporta para os Estados Unidos passa a estar sujeita a algum tipo de tarifa adicional. É um cenário que exige atenção redobrada de empresas exportadoras, especialmente as de pequeno e médio porte, que costumam ter menos margem para absorver custos extras.
Por que os EUA aplicaram a nova tarifa
A cobrança decorre de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação de comércio americana. O governo americano concluiu que o Brasil, junto com outros países, não teria mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com uso de trabalho forçado.
A CNI discorda dessa avaliação e argumenta que o Brasil possui uma legislação moderna e reconhecida internacionalmente para prevenir e combater esse tipo de prática ao longo das cadeias produtivas, com mecanismos de fiscalização e responsabilização já consolidados.
O que esperar daqui para frente
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o diálogo entre os governos brasileiro e americano seja intensificado para tentar reduzir os impactos sobre a indústria nacional. Segundo ele, a entidade já conversa com o governo federal e com os setores mais afetados para buscar saídas de curto prazo.
Isso significa que o cenário ainda pode mudar, seja por negociação diplomática, seja por eventuais ajustes pontuais nas listas de produtos afetados (como já ocorreu com a isenção de alguns itens em rodadas anteriores). Por isso, vale acompanhar de perto os desdobramentos, principalmente se sua empresa exporta para os Estados Unidos.
Orientação prática
Se o seu negócio exporta produtos para o mercado americano, o primeiro passo é verificar se o seu código de classificação fiscal (NCM) está na lista de itens atingidos pela nova tarifa. Essa consulta pode ser feita diretamente nos canais oficiais do governo brasileiro e de entidades de classe do seu setor.
Também é importante conversar com seu contador ou consultor de comércio exterior para entender como a nova tributação pode afetar a precificação, os contratos em andamento e o planejamento de caixa da empresa nos próximos meses. Em um cenário de mudanças rápidas nas regras internacionais, manter-se informado e buscar orientação especializada é a melhor forma de reduzir riscos e se antecipar a possíveis impactos financeiros.