Reforma Tributária

ERP preparado para IBS e CBS: o que sua empresa precisa checar agora

17 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
ERP preparado para IBS e CBS: o que sua empresa precisa checar agora
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A transição da Reforma Tributária começou neste ano de 2026, e junto com ela vem uma pergunta prática que já tira o sono de muitos empresários e contadores: o sistema de gestão da empresa está pronto para lidar com o IBS e a CBS? Diferente de um simples ajuste de alíquota, essa mudança exige que o ERP (o software de gestão que centraliza vendas, estoque, financeiro e fiscal) seja reprogramado para operar com uma lógica tributária totalmente nova.

Por que o ERP virou peça-chave da reforma

O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) fazem parte do novo modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) que vai substituir, aos poucos, tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. Como esse novo sistema tem regras diferentes de apuração, créditos e destaque na nota fiscal, o ERP precisa ser atualizado para calcular tudo corretamente, do emissor da nota até o fechamento contábil.

Isso significa que não basta trocar uma alíquota no cadastro do sistema. É preciso que o próprio motor de cálculo do ERP entenda a nova estrutura, inclusive durante o período de convivência entre os tributos antigos e os novos, que vai se estender por alguns anos.

A fase de transição exige dois sistemas rodando juntos

Em 2026, ano de testes e adaptação, empresas ainda operam com PIS, Cofins, ICMS e ISS em vigor, mas já precisam começar a se familiarizar com o funcionamento do IBS e da CBS. A partir de 2027, a CBS passa a valer de fato e o PIS e a Cofins deixam de existir. Já o IBS terá uma transição mais longa, com redução gradual do ICMS e do ISS entre 2029 e 2032, até a implantação completa do novo modelo em 2033.

Na prática, isso quer dizer que o ERP da empresa vai precisar suportar as duas lógicas tributárias ao mesmo tempo por um bom tempo, o que aumenta a complexidade dos cálculos e reforça a importância de escolher (ou cobrar do fornecedor atual) um sistema realmente preparado para isso.

O que muda na prática para quem usa um ERP

Para o empresário, o principal impacto é operacional: se o sistema não estiver atualizado, a nota fiscal pode sair com informações incorretas, gerando risco de autuação, retrabalho ou até problemas com clientes e fornecedores que também estão se adaptando às novas regras.

Para o contador, o desafio é auditar se o ERP está gerando os relatórios fiscais de forma compatível com as exigências da Receita Federal e dos fiscos estaduais e municipais durante esse período de convivência dos dois sistemas.

Já para o setor de TI ou para quem contrata um sistema em nuvem, vale confirmar com o fornecedor se as atualizações relacionadas ao IBS e à CBS já estão no cronograma de liberação, e não apenas prometidas para “um momento futuro”.

Um exemplo prático de como isso pode afetar o dia a dia

Suponha uma pequena indústria que vende produtos para outros estados. Hoje, o sistema calcula ICMS, PIS e Cofins na emissão da nota. Com a chegada da CBS em 2027, esse mesmo processo vai precisar considerar a nova contribuição no lugar do PIS e da Cofins, mantendo o ICMS até que o IBS comece a substituí-lo gradualmente.

Se o ERP não estiver atualizado nesse período, a empresa pode emitir notas com o cálculo tributário desatualizado, gerando divergência entre o valor cobrado do cliente e o valor que deveria ser recolhido aos cofres públicos. Esse tipo de erro costuma aparecer só na hora do fechamento fiscal, quando já é mais difícil de corrigir.

Próximos passos para não ser pego de surpresa

O primeiro passo é entrar em contato com o fornecedor do ERP e pedir um cronograma claro de atualizações relacionadas ao IBS e à CBS, inclusive quanto ao suporte à convivência dos sistemas antigo e novo até 2033.

Depois, vale alinhar com o contador da empresa como serão feitos os testes de emissão de notas fiscais durante a fase de transição, para identificar erros antes que virem problema real.

Por fim, fique de olho nas orientações oficiais da Receita Federal e dos órgãos responsáveis pela regulamentação da reforma, já que muitos detalhes de alíquotas e regras específicas ainda estão sendo definidos. Se a sua empresa também quer organizar melhor a parte de folha e encargos nesse período de mudanças, pode ser um bom momento para revisar outros cálculos internos, como o de rescisão ou o de férias, e assim manter toda a gestão financeira alinhada com as novidades tributárias que estão por vir.