Reforma Tributária

Programa Confia agora é permanente e pode ajudar sua empresa na transição para o IBS e a CBS

04 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Programa Confia agora é permanente e pode ajudar sua empresa na transição para o IBS e a CBS
Neste artigo

A Receita Federal decidiu institucionalizar de vez o Programa Confia, iniciativa que aposta em um relacionamento mais próximo e cooperativo com as empresas em vez do modelo tradicional de fiscalização baseado só em autuações. Com o status de permanente, o programa ganha força justamente no momento em que o país começa a caminhar para o novo sistema de tributação sobre o consumo, com a chegada do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Para quem lida no dia a dia com obrigações fiscais, isso é mais do que uma mudança administrativa interna do Fisco. É um sinal de que a Receita quer usar esse canal de diálogo para reduzir atritos justamente na fase mais delicada da Reforma Tributária: a transição.

O que é o Programa Confia, afinal

O Confia nasceu com uma proposta simples de entender, ainda que ambiciosa de executar: aproximar Receita Federal e contribuintes por meio de conformidade cooperativa. Na prática, isso significa que, em vez de esperar o erro acontecer para depois autuar, o programa busca orientar as empresas antes, ajudando a corrigir inconsistências e evitar problemas maiores no futuro.

Ao se tornar permanente, o programa deixa de ser apenas um projeto-piloto e passa a fazer parte da estrutura de relacionamento entre o Fisco e as empresas de forma contínua. Isso dá mais previsibilidade para quem já participa ou pretende aderir.

Por que isso importa tanto agora

A Reforma Tributária vai exigir que empresas de todos os portes se adaptem a um novo modelo de apuração, com o IBS substituindo tributos estaduais e municipais e a CBS unificando contribuições federais. Essa transição é complexa, cheia de detalhes técnicos, e naturalmente vai gerar dúvidas, erros de sistema e inconsistências nos primeiros anos.

Um programa como o Confia, que prioriza a orientação antes da punição, tende a ser um alívio nesse cenário. A ideia é que empresas que adotem boas práticas de conformidade fiscal tenham um canal mais aberto para esclarecer dúvidas e corrigir rotas, em vez de simplesmente acumular multas por erros de adaptação ao novo sistema.

O que muda na prática para empresários e contadores

Se a sua empresa já participa do Confia ou está pensando em aderir, o principal impacto é ter um interlocutor mais acessível dentro da Receita Federal durante o período de transição para o IBS e a CBS. Isso pode significar:

  • Menos surpresas com autuações por erros pontuais durante a adaptação ao novo sistema;
  • Mais clareza sobre como a Receita espera que determinadas obrigações sejam cumpridas;
  • Um canal para corrigir inconsistências antes que virem passivo tributário.

Para o contador que assessora pequenas e médias empresas, isso reforça a importância de manter a escrituração fiscal em dia e de acompanhar de perto as orientações que a Receita for divulgando sobre o Confia aplicado à Reforma Tributária.

Um exemplo hipotético para entender o impacto

Imagine uma empresa de médio porte que, nos primeiros meses de vigência do novo sistema de IBS e CBS, comete um erro na apuração por causa da adaptação do software fiscal. Em um cenário sem um programa de cooperação, essa falha poderia resultar diretamente em autuação e multa.

Com a lógica do Confia funcionando de forma estruturada, essa mesma empresa teria, em tese, a chance de identificar o erro junto à Receita, corrigir a apuração e regularizar a situação antes que o problema avance para uma penalidade mais pesada. É importante frisar: isso depende das regras específicas do programa e de como cada caso é avaliado, então nada substitui a orientação de um contador de confiança.

Próximos passos: o que fazer agora

Se você é empresário ou contador, vale a pena:

  1. Verificar diretamente no site da Receita Federal (gov.br) os critérios atualizados de participação no Programa Confia;
  2. Conversar com o contador da empresa sobre a possibilidade de aderir ao programa, avaliando vantagens e requisitos;
  3. Acompanhar de perto o cronograma de implementação do IBS e da CBS, para já ir organizando processos internos com antecedência.

E já que o assunto é adaptação fiscal, aproveite para revisar como as mudanças da Reforma Tributária podem impactar o seu regime de tributação. Se você ainda não comparou os cenários, dá para simular diferentes situações em nossas ferramentas e entender melhor o que faz sentido para o seu negócio.