Reforma Tributária

Projeto de lei quer isentar de impostos federais empresas de jovens em cidades de baixo IDH

18 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Projeto de lei quer isentar de impostos federais empresas de jovens em cidades de baixo IDH
Neste artigo

Um projeto de lei em tramitação no Congresso quer estimular a abertura de negócios por jovens em cidades com menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M). A proposta prevê isenção de quatro tributos federais durante os três primeiros anos de atividade da empresa. É importante deixar claro desde já: trata-se de uma proposta em discussão, que ainda depende de aprovação no Legislativo e sanção presidencial para virar lei. Nada disso vale hoje.

O que diz a proposta

De acordo com o texto em análise, teriam direito ao benefício empresas cujo sócio majoritário tenha entre 18 e 29 anos e que estejam sediadas em municípios com IDH-M abaixo da média nacional. Se aprovada, a isenção alcançaria quatro tributos federais nos três primeiros anos de operação do negócio:

  • Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)
  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
  • PIS
  • Cofins

A ideia por trás do projeto é reduzir a carga tributária inicial, justamente na fase em que mais empresas fecham as portas por falta de fôlego financeiro, e incentivar que jovens empreendam em regiões menos desenvolvidas do país, onde a geração de emprego e renda costuma ser mais escassa.

Ainda é só proposta: o que pode mudar

Como o projeto está em tramitação, é normal que o texto sofra alterações até a votação final, se é que chegará a ser votado neste ciclo legislativo. Critérios como a faixa etária do sócio majoritário, o corte de IDH-M usado como referência e até a lista de tributos isentos podem ser ajustados por emendas parlamentares. Também não há garantia de que o projeto seja aprovado: propostas como essa podem ficar anos parada em comissões, ser arquivadas ou aprovadas com texto bem diferente do original.

Por isso, se você é jovem e pensa em abrir uma empresa numa cidade de baixo IDH, o recado é: acompanhe a tramitação, mas não planeje seu negócio com base numa isenção que ainda não existe.

O que muda na prática (se a proposta virar lei)

Supondo que o projeto seja aprovado como está, o impacto seria bem concreto para um grupo específico de empreendedores. Imagine uma jovem de 26 anos que abre uma pequena confecção em um município do interior com IDH-M abaixo da média nacional, sendo ela a sócia majoritária. Nos três primeiros anos, essa empresa deixaria de recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, sobrando mais caixa para investir em máquinas, estoque ou contratação de funcionários.

Isso não significa isenção total de impostos: tributos estaduais (como ICMS) e municipais (como ISS), além de encargos trabalhistas e previdenciários, continuariam sendo devidos normalmente. A vantagem seria concentrada nos quatro tributos federais listados no projeto.

Vale lembrar também que o regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) influencia diretamente como IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são calculados hoje. Se a isenção sair do papel, provavelmente vai gerar dúvidas sobre como ela se combina com cada regime. Para entender melhor sua situação atual, você pode simular o cálculo na nossa calculadora de Simples Nacional x Lucro Presumido.

Quem ficaria de fora

Pelo que se sabe até agora, o benefício seria restrito a empresas com sócio majoritário jovem (entre 18 e 29 anos) e sediadas em municípios específicos, definidos pelo critério de IDH-M abaixo da média nacional. Negócios em capitais e grandes centros urbanos, que costumam ter IDH mais alto, provavelmente não se enquadrariam. Empresas já existentes, fora da faixa etária do sócio majoritário ou fundadas fora do prazo que a lei eventualmente definir também ficariam de fora do benefício.

Próximos passos

Se você se encaixa no perfil descrito pela proposta (jovem empreendedor ou empreendedora, negócio em cidade de menor IDH), o mais indicado agora é:

  1. Acompanhar a tramitação do projeto de lei no site da Câmara dos Deputados ou do Senado, conforme a casa onde ele estiver em análise;
  2. Não deixar de recolher os tributos atualmente devidos com base numa isenção que ainda não foi aprovada;
  3. Conversar com um contador de confiança para entender o enquadramento tributário mais adequado ao seu negócio hoje, e ficar de olho em eventuais mudanças caso o projeto avance;
  4. Verificar o IDH-M do seu município em fontes oficiais, como o IBGE ou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), caso queira entender se sua cidade se enquadraria no critério proposto.

Assim que houver avanço concreto (aprovação em comissão, votação em plenário ou sanção), vale voltar a acompanhar o tema para confirmar as regras definitivas.