Reforma Tributária

Split payment em 2027: entenda por que microempresas do Simples ficam de fora no início

25 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Split payment em 2027: entenda por que microempresas do Simples ficam de fora no início
Neste artigo

A Reforma Tributária vai trazer, a partir de 2027, um mecanismo novo chamado split payment. Na prática, ele separa automaticamente a parte do IBS e da CBS dentro do valor pago em uma venda ou prestação de serviço, direcionando esse pedaço direto para o governo, sem passar pelo caixa da empresa. É uma mudança grande na forma como o dinheiro do imposto circula, mas o alcance inicial desse sistema será mais limitado do que muita gente imagina.

Vale lembrar: estamos falando de uma regra que ainda depende de regulamentação detalhada, dentro do cronograma da reforma que já está em andamento desde 2026. A CBS entra em vigor em 2027, substituindo PIS e Cofins, e é justamente nesse momento que o split payment começa a operar, ainda que de forma restrita.

O que é o split payment, em termos simples

Pensa assim: hoje, quando uma empresa vende algo, ela recebe o valor total do cliente e depois calcula e recolhe os impostos por conta própria, dentro dos prazos normais. Com o split payment, o sistema financeiro (bancos, adquirentes, plataformas de pagamento) vai identificar automaticamente qual parte daquele valor é IBS e CBS e mandar essa fatia direto para os cofres públicos no momento da transação.

A ideia é reduzir sonegação e dar mais previsibilidade de caixa para o governo. Mas isso também significa menos dinheiro “passando pela mão” da empresa antes do recolhimento, o que pode impactar o fluxo de caixa de quem está acostumado a usar aquele intervalo entre receber e pagar o imposto.

Quem fica fora do split payment no início

Segundo o que já se sabe sobre a implementação em 2027, duas situações vão ficar fora do alcance do split payment no primeiro ano:

  • Microempresas que permanecerem integralmente no Simples Nacional, ou seja, que não migrarem para outro regime.
  • Vendas feitas diretamente para pessoa física, sem intermediação de outra empresa.

Isso significa que o pequeno comércio, prestadores de serviço enquadrados no Simples e vendas no varejo direto ao consumidor final devem continuar operando, ao menos nesse primeiro momento, pela lógica atual de apuração e recolhimento dos tributos, sem a retenção automática na fonte da transação.

O que muda na prática

Para quem é optante do Simples Nacional e pretende continuar assim, a rotina de recolhimento de impostos não deve sofrer alteração relevante por causa do split payment em 2027. O impacto maior recai sobre empresas de médio e grande porte que operam no regime regular (lucro presumido ou lucro real), especialmente aquelas que vendem para outras empresas (B2B), pois é nesse tipo de operação que o mecanismo deve atuar primeiro.

Isso não quer dizer que o pequeno negócio pode ignorar o tema. Se a empresa pensa em sair do Simples nos próximos anos, ou já opera em um regime misto, é hora de acompanhar de perto como a regulamentação vai evoluir, porque o alcance do split payment deve se expandir com o tempo, seguindo o cronograma da reforma até a plena vigência em 2033.

Exemplo prático

Suponha uma empresa fictícia, a “Comercial Exemplo Ltda.”, optante pelo Simples Nacional, que vende produtos para o consumidor final em uma loja física. Em 2027, essa venda direta ao cliente pessoa física continua fora do split payment: o dinheiro entra integralmente no caixa da empresa, que recolhe seus tributos pela guia unificada do Simples, como já faz hoje.

Já se essa mesma empresa decidir sair do Simples e passar a vender também para outras empresas (por exemplo, fornecendo insumos para um fabricante), essa operação B2B pode entrar no radar do split payment, dependendo de como a regulamentação definir as regras de aplicação a partir de 2027.

Próximos passos

Como a reforma ainda está em fase de regulamentação e testes, recomendamos:

  1. Acompanhar as publicações oficiais da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS sobre os detalhes de implementação do split payment.
  2. Conversar com seu contador para entender se a sua empresa se encaixa nas exceções (Simples integral ou vendas só a pessoa física) ou se pode ser afetada já em 2027.
  3. Revisar o fluxo de caixa da empresa caso haja expectativa de operações B2B fora do Simples, já que a retenção automática pode alterar o momento em que o dinheiro do imposto passa pelas contas do negócio.

Se você quer entender melhor como esses impostos afetam o resultado do seu negócio hoje, pode aproveitar para simular cenários na nossa calculadora de Simples x Lucro Presumido e comparar qual regime faz mais sentido antes das mudanças da reforma chegarem à sua rotina.